quinta-feira, 24 de julho de 2008

Direito Ambiental: uma abordagem no sistema norte-americano

Representantes de Grupo de Pesquisa do Mestrado do UNICURITIBA participaram do Workshop “Direito Ambiental: uma abordagem no sistema norte-americano”, com os Professores George e Catherine Pring, da Universidade de Denver

Em 19/06/2008, das 19 às 20 horas, na Sala de Eventos da Pós-Graduação em Direito da PUC-PR, Eduardo Emanoel Dall’Agnol de Souza, Eliseu Raphael Venturi, Marjorie Bley Linhares, Melina Samma Nunes e Thiago de Oliveira Gonçalves, membros do Grupo de Pesquisa “Efetividade dos preceitos constitucionais sobre desenvolvimento sustentável e responsabilidade social ambiental: quo vadis, empresa brasileira?”, do Mestrado em Direito do UNICURITIBA, participaram do Workshop de pesquisa com o Professor George Pring e sua esposa Catherine Pring, da Universidade de Denver - Colorado, Estados Unidos.
O evento foi coordenado pelos Professores Doutores Vladmir Passos de Freitas e Fabiane Bueno Netto Bessa. O Professor Vladmir apresentou os convidados, destacando a importância da presença deles no Brasil, em visita para conhecer as Varas Ambientais e para realizar palestras em Universidades e no Judiciário especializado.
O Professor George Pring leciona Direito Constitucional, Direito Ambiental e Direito Ambiental Internacional, além de ser especialista em recursos hídricos, enquanto Catherine é especialista em Mediação e Arbitragem Ambientais. Ambos possuem relevante participação junto ao PNUMA (Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente), contando com mais de 30 anos de experiência em suas respectivas áreas de atuação.
O Workshop foi ao estilo de uma descontraída conversa, traduzida simultaneamente, com a participação dos professores e dos alunos da graduação tanto da PUC como do UNICURITIBA. Ao total foram oito perguntas e respostas em dinâmicas e profícuas discussões sobre temas contemporâneos de relevância política e ambiental.
A primeira questão feita a George foi sobre recursos hídricos e multas em caso de desperdício, ao que o Professor respondeu haver, no sistema americano, quotas de volume d’água para consumo, fornecida pelo governo em alguns Estados, pagando-se o excedente de consumo, havendo multas pelo desperdício (uso que não seja para subsistência), principalmente nas áreas de muita seca.
Em seguida, foi-lhe perguntado sobre a não assinatura do Protocolo de Kyoto, pelo governo Bush, ao que o Professor Pring lembrou que o presidente afirmara, em sua campanha das eleições de 2000, que assinaria o Protocolo, o que não veio a ocorrer. Pring ponderou, ainda, o entrave entre os aspectos políticos e os econômicos, haja vista a pressão das grandes empresas que financiam as campanhas eleitorais, opondo-se à regulamentação de controle de emissão de poluentes. Interagindo com os alunos, George respondeu que sua preocupação em relação às eleições americanas atuais centra-se no que será feito, pelas indústrias financiadoras de campanhas, após a assinatura do Protocolo, qualquer que seja o candidato eleito.
Indagado sobre a consciência ambiental dos norte-americanos, o Professor George destacou que desde a década de 1960 são realizadas consultas populares para levantar dados sobre a percepção das pessoas quanto à situação ambiental e sobre a necessidade de medidas interventivas no impacto humano sobre o ambiente. Segundo o Professor, os resultados mantiveram-se positivamente constantes entre 70% e 80%, ou seja, as pessoas seriam conscientes, conforme as estatísticas. Esta informação gerou imediata objeção entusiástica por parte dos presentes, momento em que o Professor George concordou pela existência de um paradoxo.
Assim, embora as estatísticas sejam aparentemente favoráveis, estão desconexos discurso e prática cotidiana, uma vez que ainda não há a prática do devido cuidado relativo ao impacto do consumo humano sobre os recursos hídricos, de ar e de energia. Baseado em suas viagens por 16 países, e de modo comparativo, o Professor George afirmou ainda não haver, na maioria da população americana, a consciência efetiva de que o impacto das ações individuais, somadas, contribui decisivamente para o resultado total de crise ambiental.
Indagado sobre a intenção dos Estados Unidos na Amazônia, o Professor George reafirmou a incoerência de pensamento e prática perceptível na postura de muitos americanos. Afinal, ao mesmo tempo em que se afirma, aos países em desenvolvimento, o dever de cessar a exploração e a degradação da Amazônia, os Estados Unidos construíram sua economia justamente transformando os recursos em dinheiro – argumento que colocaria em dúvida a credibilidade de quaisquer recomendações de preservação por parte dos americanos. Segundo George, em um século os Estados Unidos transformaram toda a ecologia em economia. Além disso, enfatizou que os Estados Unidos se estabeleceram como grandes exportadores de danos ambientais, dada a rigidez da lei interna somente às questões de danos internos. George disse também que China, Índia e Brasil são potências em ascensão, dados os recursos naturais disponíveis, do que restou, ironicamente, a pergunta em aberto: o olhar dos Estados Unidos sobre esses países se faz com fins de conservação ou é para poluir esses espaços, lucrar com isso e ainda colocar a culpa pela crise ambiental nos países em desenvolvimento?
Em vista desse cenário, fez-se a grande indagação: afinal, quais as soluções possíveis para reverter ou amenizar o problema? Segundo o Professor George, o modelo econômico mundial se estrutura de modo que o cenário de desequilíbrio seja perpetuado, ao invés de solucionado, ou seja, um país passa o problema para o outro e mantém-se a cadeia de exploração irresponsável. Talvez transformar os resíduos em mercadoria fosse um mecanismo eficaz – dentro da mentalidade extremamente comercial –, porém, não se pode deixar de ajuizar que, ao mesmo tempo em que os dejetos industriais podem gerar empregos e elevar a média de vida em alguns países, produzem mortes por doenças decorrentes do contato com substâncias tóxicas residuais. Pensar essa questão foi o principal desafio deixado pelo convidado aos participantes.
Por fim, a Professora Fabiane encerrou o evento, agradecendo e enaltecendo a atitude responsiva de George e de Catherine, assim como a abertura do casal às diferentes culturas e aos diversos pontos de vista sobre a problemática econômica e ambiental. Catherine elogiou o modelo curitibano de gestão ambiental, após narrar que ela e George conheceram, na tarde daquele dia, a atuação do Ministério Público em questões ambientais.

Mais informações:

Programa de Pós-Graduação em Direito da PUC-PR. Disponível em: <http://www.pucpr.br/cursos/programas/ppgd/noticias.php?noticiaid=3880>. Acesso em: 30 jun. 2008.

Página do Professor Pring na Universidade de Denver. Disponível em: <http://law.du.edu/index.php/profile/george-pring>. Acesso em: 30 jun. 2008.

Currículo de Catherine Pring. Disponível em: <http://law.du.edu/images/uploads/Kitty_pring_resume_2008.pdf>. Acesso em: 30 jun. 2008.
Currículo de George Pring. Disponível em:
<
http://law.du.edu/images/uploads/directory/pringCV.pdf>. Acesso em: 30 jun. 2008.

BLOG do Grupo de Pesquisa “Efetividade dos preceitos constitucionais sobre desenvolvimento sustentável e responsabilidade social ambiental: quo vadis, empresa brasileira?”. Disponível em: <http://quovadisempresabrasileira.blogspot.com>.

Como citar esta matéria:

BESTER, Gisela Maria; VENTURI, Eliseu Raphael. Representantes de Grupo de Pesquisa do Mestrado do UNICURITIBA participaram do Workshop “Direito Ambiental: uma abordagem no sistema norte-americano”, com os Professores George e Catherine Pring, da Universidade de Denver. Curitiba: 2008. Disponível em: <http://www.unicuritiba.com.br/webmkt/mestrado>. Acesso em: 25 jul. 2008.

quarta-feira, 23 de julho de 2008

Blog do Quo Vadis? foi indexado no Laboratório de Divulgação Científica DFM.FFCLRP.USP



Em 22 de julho de 2008 o blog do Grupo de Pesquisa Quo vadis, empresa brasileira? foi indexado como blog científico à base Anel de Blogs Científicos, do Laboratório de Divulgação Científica, projeto mantido no Departamento de Física e Matemática da Faculdade de Filosofia, Ciência e Letras da Universidade de São Paulo.

Trata-se de um relevantíssimo espaço para divulgação de endereços que remetem a conteúdos resultantes do trabalho realizado em múltiplas ciências e gerados por grupos de pesquisa e cientistas em todo o mundo que publicam conhecimento por meio de blogs.
Como afirma a Doutora Laura Bonetta, no texto "Scientists enter the blogosphere", na Revista Cell e citado na página do Anel de Blogs Científicos, os blogs estão entre as mais recentes ferramentas à disposição dos cientistas para divulgarem suas idéias tanto à comunidade acadêmica quanto ao público em geral.
A presença do blog científico Quo vadis, empresa brasileira? nesse meio de divulgação reforça a contribuição dada pelo Grupo na busca da construção de pesquisa jurídica que

demonstre que a ciência do Direito ainda possui um valor em si mesmo, que o Direito ainda pode e deve dar respostas aos problemas do homem em sociedade e não só pesquisa sobre seu método, sua ideologia, seu discurso, seus atores, suas relações de poder, isto é, que a ciência do Direito ainda está legitimada a buscar o justo e o equitativo, apesar de sua atual e profunda crise de fundamentos (MARQUES, 1999, p. 238).


Referências:
ANEL DE BLOGS CIENTÍFICOS. Disponível em: <
http://dfm.ffclrp.usp.br/ldc/> Acesso em: 23 jul. 2008.

BONETTA, Laura. Scientists enter the blogosphere. Cell, Issue 3, 4, v. 129, maio 2007,
p. 443-445. Disponível em: <http://www.sciencedirect.com/science?_ob=MImg&_imagekey=B6WSN-4NMMB5G-3-1&_cdi=7051&_user=10&_orig=article&_coverDate=05%2F04%2F2007&_sk=998709996&view=c&wchp=dGLbVzb-zSkWz&md5=ea10ce7b017305ce21f6073b24481a75&ie=/sdarticle.pdf>. Acesso em: 23 jul. 2008.

MARQUES, Cláudia Lima. A crise científica do Direito na pós-modernidade e seus reflexos na pesquisa. Cidadania & Justiça. Rio de Janeiro: Associação dos Magistrados Brasileiros, v. 3, n. 6, p. 237-248, 1999.

Postado por: Eliseu Raphael Venturi.

quinta-feira, 5 de junho de 2008

No dia 26 de maio, a Professora Gisela Maria Bester, coordenadora do Mestrado em Direito Empresarial e Cidadania, do UNICURITIBA, tomou posse, em Brasília, na condição de conselheira do Ministério da Justiça, como membro titular do Conselho Nacional de Política Criminal e Penitenciária, pelo período de dois anos, conforme Portaria nº 861, de 15/5/2008, do ministro da Justiça, publicada no Diário Oficial da União de 16/5/2008.

A professora contribuirá no Conselho Nacional de Política Criminal e Penitenciária enquanto constitucionalista com experiência em direitos humanos e fundamentais, de acordo com a tendência deste Conselho em ter uma formação que atenda aos requisitos da interdisciplinariedade e da intradisciplinariedade jurídica.

Já em sua primeira reunião de trabalho, nos dias 26 e 27/5, a nova conselheira foi nomeada integrante da Comissão de Gênero do CNPCP, criada na ocasião pelo presidente, Prof. Dr. Sérgio Salomão Shecaira, fundamentalmente para mapear as assimetrias existentes no cumprimento da pena das mulheres encarceradas em relação aos homens encarcerados e propor mudanças normativas visando a sanar tais inconstitucionais disparidades.






Prof. Dr. Sérgio Salomão Shecaira, Presidente do CNPCP, assina termo de posse da conselheira Gisela Maria Bester

quarta-feira, 21 de maio de 2008

Coordenadora do Mestrado em evento com Ignacy Sachs

Coordenadora do Mestrado em evento com Ignacy Sachs
A Professora Gisela Maria Bester, coordenadora do Mestrado em Direito Empresarial e Cidadania, do UNICURITIBA, participou do Fórum de Lideranças para a Sustentabilidade, realizado em São Paulo (6 e 7/5/2008), no Centro Universitário SENAC. O evento contou com o apoio do UNIETHOS e teve como destaque a presença do socioeconomista polonês naturalizado francês, Ignacy Sachs. Aos 81 anos e demonstrando altíssimo vigor intelectual, o Professor Ignacy ministrou palestra no painel sobre “Os desafios da sustentabilidade para as políticas, organizações e os desafios para a formação”, trazendo ao público sua experiência de meio século de produção intelectual nas temáticas ligadas ao desenvolvimento sustentável. Autor de mais de 20 livros sobre desenvolvimento e meio ambiente, Ignacy Sachs é professor emérito da Escola de Altos Estudos em Ciências Sociais de Paris (EHESS), fundador e co-diretor do Centro de Pesquisa sobre o Brasil Contemporâneo e criador do Centro Internacional de Pesquisas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento, ambos em funcionamento na França.

Professora Gisela conhece o Professor Doutor Ignacy Sachs

O Fórum congregou representantes das esferas pública, privada e do terceiro setor para a discussão de propostas visando à formação de lideranças com novas competências profissionais focalizadas na sustentabilidade social, econômica e ambiental. Tendo lançado no início da década de 70 alguns dos principais fundamentos do debate contemporâneo sobre a necessidade de um novo paradigma de desenvolvimento que fosse baseado na convergência entre Economia, Ecologia, Antropologia Cultural e Ciência Política, Sachs reforçou, nesse evento, a orientação de que “não podemos sacrificar o social no altar do ambiental, como sacrificamos o ambiental no altar do econômico”, demonstrando com isso a beleza e a dificuldade do tema. Uma das obras do Professor Ignacy Sachs – Rumo à ecossocioeconomia: teoria e prática do desenvolvimento – está sendo objeto de estudo dos candidatos ao Processo Seletivo para a turma 2008 do Mestrado do UNICURITIBA, especificamente para a prova dissertativa. Esse livro reúne uma seleção dos mais importantes ensaios e artigos do autor, oferecendo uma imagem da evolução de seu pensamento.

Professora Gisela atua como relatora da Oficina "Competências para a Sustentabilidade", no Fórum de Lideranças para a Sustentabilidade

A Professora Gisela atuou, no Fórum, como relatora na Oficina “Competências para a Sustentabilidade” e contatou o Professor Ignacy Sachs, com vistas a uma eventual conferência no Mestrado.

Mestrado recebeu Alfa Oumar Diallo para debater relações empresariais internacionais e a sustentabilidade

Mestrado recebeu Alfa Oumar Diallo para debater relações empresariais internacionais e a sustentabilidade


Em 14/4/2008, das 19 às 21 horas, durante a I Semana Extensionista organizada pelo Núcleo de Pesquisa e Extensão Acadêmica do UNICURITIBA, o Programa de Mestrado em Direito Empresarial e Cidadania realizou o evento “Relações Empresariais Internacionais e Sustentabilidade”, contando com a palestra do Professor Alfa Oumar Diallo, coordenador do Curso de Relações Internacionais do Centro Universitário La Salle (RS). Com lotação completa, o Miniauditório do Câmpus Milton Vianna Filho recebeu graduandos, mestrandos e docentes da Instituição para ouvir o professor convidado, que é senegalês e residente no Brasil, mestre em Tributação do Comércio Exterior e doutor em Nova Parceria para o Desenvolvimento da África e Paradigma de Desenvolvimento, ambas titulações na área de Sociedade e Estado em Perspectiva de Integração, pela UFRGS.


Prof. Dr. Alfa Oumar Diallo

Em sua fala o Professor Alfa abordou criticamente as mudanças paradigmáticas dos negócios internacionais, considerando conjunções locais e mundiais, com enfoque nas tendências à globalização, à intensificação das relações entre as empresas e à alta competitividade como fatores determinantes e propulsores de renovadas práticas e de especializadas demandas profissionais, nos setores público e privado. O objetivo do evento foi transmitir aos acadêmicos, notadamente aos futuros profissionais do Direito e de Relações Internacionais, conhecimentos necessários para a diferenciada atuação no contexto em pauta. Para tanto, o Professor Alfa sugeriu formas de os gestores e seus colaboradores pensarem práticas tendo em mente o redimensionamento necessário de suas competências, concorrente à complexificação dos cenários e dos ramos do Direito Internacional, uma vez que "como ciência contingencial, o Direito não busca a verdade universal, busca resultados válidos e aplicáveis em determinados contextos", afirmou. Assim, as relações empresariais devem comportar, em seus planejamentos e processos decisórios, as dimensões de micro e macro elementos econômicos e comerciais, unindo aspectos locais e globais. Exemplo claro desse fenômeno foi dado pelo Professor Alfa, ao explanar a intricada estruturação do Direito do Comércio Internacional, uma espécie de Direito Econômico, abrangendo todas as áreas do Direito Comercial e do Direito Industrial e se caracterizando como Direito Internacional Econômico, porque comporta o Direito Monetário-Cambial, o Direito Financeiro e o Direito Fiscal. A questão das relações empresariais internacionais foi marcada, a partir da década de 80, pela apropriação, nas empresas, de processos típicos de estratégia militar, visando obter sucesso nos negócios. Encontram-se contidas nesse âmbito várias subáreas do Direito:


Na primeira fila, os Pró-Reitores Administrativo (Prof. Renato Silva) e Acadêmico (Prof. Antonio Gonçalves) também prestigiaram o evento

a) questões de regulamentação de negociações e contratações internacionais, via Direito do Comércio Internacional;

b) Direito Internacional Público, por meio de acordos, tratados internacionais e leis modelos – normas de direito uniforme – celebrados pelos Estados;

c) Direito Internacional Privado, na medida das relações jurídicas entre partes, e discussão de elementos jurídicos, tais como legislação aplicável, jurisdição competente e princípios do Direito Comercial Internacional.

Momentos do debate com a Profa. Dra. Gisela Maria Bester

Tais elementos, na forma de acordos sobre investimentos, tarifas e comércio de serviços permeiam as discussões em busca da uniformização e da harmonização desses ramos do Direito, além da solução de controvérsias. Muito didaticamente, o Professor Alfa esclareceu como foram estabelecidos instrumentos e dispositivos de regulamentação das atividades, no âmbito da Organização Mundial do Comércio (OMC), tais como GATT (acordos gerais sobre comércio de serviços, que se vinculam à liberalização do setor) e TRIM (acordos sobre investimentos, em um campo de dificuldade para se firmarem regras), que têm implicação direta sobre o desenvolvimento industrial e comercial, além de repercutirem em uma série de eventos sociais como qualidade de vida, geração de empregos, produção e comércio de bens e serviços, proteção ambiental. “Parece evidente que as discussões e negociações sobre temas econômicos e sociais nos foros internacionais exercem influência sobre as políticas governamentais nacionais”, enfatizou.Nesse contexto, a sustentabilidade emerge como uma noção que se choca com os fundamentos históricos dos blocos econômicos e suas intenções, considerando-se que “de um lado está o interesse e compromisso de integração econômica e de estabelecer um livre comércio, e de outro está a adoção de medidas restritivas baseadas em incertezas quanto aos riscos de determinados produtos postos à disposição para o consumo”.O princípio da precaução, conforme exposto pelo Professor Alfa, assume preponderância como instrumento de proteção ambiental e de desenvolvimento sustentável, e seu potencial restritivo em face de incertezas e riscos vem limitar ou mesmo proibir certas transações. Sua presença em acordos internacionais torna-o inafastável do conteúdo a ser ponderado nas tratativas e negociações, embora seja visto com muitas restrições na OMC. As convenções internacionais que versam sobre proteção ao meio ambiente encontram resistência em sua aplicação e efetividade, em grande medida pela natureza da interpretação que se dá a algumas normas, identificadas como sendo de caráter meramente indicativo de conduta, pela ausência de sanção. Todavia, como ressalvou o Professor Alfa “é importante frisar que a falta de sanção não pode ser suficiente para desnaturar o caráter jurídico do princípio da precaução. Nem todo dever vem associado a uma sanção e nem por isso deixa de fazer parte do ordenamento jurídico”. A possibilidade de esse princípio vir a tornar-se princípio geral do Direito e mecanismo de controle constitucional, assim como a natureza das normas oriundas das convenções internacionais, aponta sua existência no âmbito da soft law, que se identifica pelo objetivo de obtenção de comportamentos futuros, o que gera certas obrigações morais aos Estados, influenciando assim a estrutura do ordenamento interno, que deverá se conformar com as metas exteriores, formalizadas em fontes diversas, tais como “agreements, códigos de conduta, memorandos, declaração conjunta, declaração de princípios, ata final e até mesmo denominações tradicionalmente reservadas a normas de hard law (geradoras de obrigações jurídicas), como acordos e protocolos”. Essa natureza específica eleva o princípio da precaução a um corte paradigmático, na medida em que opera com uma “lógica que está muito além das noções de responsabilidade que se possuía até bem pouco tempo”, constatação que encontra respaldo empírico, pois “a consciência ecológica ainda não se manifestou plenamente, de forma a tornar mais tranqüila a adoção de medidas restritivas ao comércio como pressupõem certos casos analisados sob a óptica do princípio da precaução”.


A atenta platéia no Miniauditório


Posto esse cenário controverso, o professor utilizou exemplos práticos de iniciativas válidas em prol da sustentabilidade, como os indicadores socioeconômicos de empresas socialmente responsáveis em longo prazo, demonstrando o comprometimento com públicos diversos –a população, a comunidade, os trabalhadores e seus familiares, os acionistas e os profissionais das empresas. Um caso prático dessa política de sustentabilidade corporativada, mencionado pelo Professor Alfa, é o do conglomerado industrial indiano Tata. “Falando em sustentabilidade, o grupo Tata gasta US$ 73 milhões por ano em projetos que são suporte à comunidade [...] Isso não é um gasto, mas um investimento”, segundo um dos diretores do grupo, Dr. Jamshed Irani. Dessa forma, a problemática exposta na palestra estruturou-se na junção da abordagem sobre as relações empresariais internacionais com a necessidade de integração da variável ambiental e da sustentabilidade como precípuos elementos inseridos nos ramos de negociação, de modo que a questão principal emerge enquanto desafio da busca de ecoeficiência. De tal modo, tem-se uma problemática estruturada pelas relações empresariais internacionais e pela sustentabilidade, de forma que a questão central proposta pelo Professor Alfa foi a da busca da ecoeficiência. Nessa busca é preciso levar-se em conta os embates entre o livre comércio, em que se defendem a livre circulação de mercadorias e a integração econômico-comercial, e os ditames do princípio da precaução, que opera em face das incertezas oriundas dos riscos de determinados produtos, o que proíbe ou limita uma série de circulações. "Os questionamentos acerca das práticas comerciais em detrimento dos interesses ambientais são de difícil absorção por uma sociedade que visa, em especial, à obtenção de lucro rápido e fácil", ressaltou o Professor Alfa. Em vista disso, o professor aconselhou que “parece ser mais sensato, por enquanto, [...] a convivência [do livre-comércio e da precaução] até que se complete a transição, quando a ecoeficiência estiver funcionando a pleno vapor e demonstre que o metabolismo industrial encontrou seu ponto de equilíbrio tanto na entrada como na saída do sistema. Tais considerações a respeito do enquadramento do setor produtivo em relação à questão ambiental evidenciam a dimensão do desafio empresarial para alcançar a sustentabilidade no âmbito produtivo”.A Professora Gisela Maria Bester, coordenadora do Mestrado e organizadora do evento, arrematou a fala do Professor Alfa em debate que fez a ligação dos temas tratados no evento da manhã daquele mesmo dia, salientando o exemplo da Petrobras, que está prestes a explorar petróleo no Senegal e que vem investindo fortemente na preparação de seus funcionários para as questões ligadas à sustentabilidade. Ambos os eventos foram promovidos pelo Grupo de Pesquisa “Efetividade dos Preceitos Constitucionais sobre Desenvolvimento Sustentável e Responsabilidade Social Ambiental: quo vadis, empresa brasileira?”, em desenvolvimento no Programa de Mestrado.



Referências e mais informações:

Os índices de sustentabilidade também foram discutidos em: BESTER, Gisela Maria; VENTURI, Eliseu Raphael. Desenvolvimento sustentável ad calendas græcas? Mestrado debateu a empresa “cidadã”. Disponível em: <http://quovadisempresabrasileira.blogspot.com/>. Acesso em: 29 abr. 2008.


Sítio com entrevista de Jamshed Irani, um dos diretores do Grupo Tata. Disponível em:<http://www.tata.com/tata_sons/articles/20030526_my_tata_years.htm>. Acesso em: 22 abr. 2008.DIALLO, Alfa Oumar. Relações empresariais e sustentabilidade. Porto Alegre: 2008. 27 p. Mimeografado.


Como citar esta matéria:

BESTER, Gisela Maria; VENTURI, Eliseu Raphael. Mestrado recebeu Alfa Oumar Diallo para debater as relações empresariais internacionais e a sustentabilidade. Curitiba: 2008. Disponível em: <http://www.unicuritiba.com.br/webmkt/mestrado>. Acesso em: 21 maio 2008.